domingo, 29 de setembro de 2013

MAIAKÓVSKI


Poeta e dramaturgo, considerado um dos maiores do século XX. Maiakóvski nasceu em 1883, na Geórgia, participou ativamente da revolução de 1917, sendo membro do partido Bolchevique desde os 15 anos, período em que esteve preso por duas vezes, sendo a última por onze meses, período em que o poeta aproveitou para ler todas as obras clássicas.
Maiakóvski ingressa na Escola de Belas Artes em 1910, ligando-se ao movimento futurista e, consequentemente, sendo expulso quatro anos depois. A partir da revolução de 1917 intensifica sua produção literária paralelamente à sua atuação política.
Burocratas do partido comunista, incomodados com a "pouca" atuação política de Maiakóvski e alegando "incompreensão" por parte das massas dos poemas de Maiakóvski o criticam duramente. Maiakóvski nunca aceitou qualquer tipo de imposição ou interferência na sua obra e questionava os que se "vangloriavam do fato de a nossa leitura ser florida como um jardim".
Maiakóvski suicidou-se em 14 de abril de 1930, acossado pela falta de perspectiva para sua poesia, pelos problemas de saúde e relacionamentos amorosos infelizes. Maiakóvski foi um grande que tirou a própria vida.

Um dos mais famosos poemas de Maiakóvski, o poema EU, foi musicado em 1987 pela banda de punk rock paulista Inocentes, fazendo parte do LP Adeus Carne.



EU
Nas calçadas pisadas de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneo de frases ásperas
Onde forcas esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres oblíquas
só soluçando eu avanço por vias que se encruzilham
à vista de crucifixos polícias


(tradução:  Haroldo de Campos)




sábado, 31 de agosto de 2013

Crônicas do dia a dia

                           Nunca mais vou beber na minha vida

  Nunca mais vou beber na minha vida é a cantilena repetida por todos os bêbados, que logo apos uma daquelas bebedeiras monumentais padece largado  numa cama todo nauseabundo maldizendo o bendito goró do dia anterior. ''Minha cabeça vai explodir'', completa o lenga lenga. Nove entre dez ébrios ''ressaquiados'' produzem a tal afirmação, o decimo infeliz já nem sente mais os efeitos da bebida, por esse motivo ele não deveria nem entrar na contagem e seria até bom, pois ele acabaria nos poupando do seu papo furado.
  Nós ébrios contumazes, e eu também me incluo nessa por beber umas cervejinhas vez ou outra, mais vezes do que outras é verdade, as vezes me pego soltando o tal do ''nunca mais vou beber na minha vida'', isso se eu estiver de ressaca é claro, caso contrario a vida segue e os gorós também. Uma coisa deve ser dita nos ébrios não suportamos as terríveis ressacas em vão, há um motivo logico para tal fato, afinal de contas como estaria agora produzindo esta crônica sem esse nosso velho parceiro de criatividade e vou mais longe, como é que grandes escritores, grandes pintores e músicos geniais teriam dado vazão a tão belas demostrações de sensibilidade sem o nosso companheiro, o velho álcool?!

  Eu penso que o melhor mesmo é continuarmos repetindo o mesmo blá blá blá de sempre: ''nunca mais vou beber na minha vida'' e continuar produzindo nossa boa e velha cultura assim como o velho Bukowski sempre fez, afinal de contas uma ressacazinha nunca matou ninguém mesmo!   
                                 
                                      Cartola e o álcool

                                     

                                      

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Juan Ramón Jimenéz

  • Juan Ramón Jiménez

  • Juan Ramón Jiménez Mantecón foi um poeta espanhol. Por sua oposição ao regime franquista foi obrigado a exilar-se nos EUA, no ano de 1936. Recebeu o Nobel de Literatura de 1956.


  • Solidão                                                                                                                       Estás todo em ti, mar, e, todavia, 
    como sem ti estás, que solitário, 
    que distante, sempre, de ti mesmo! 

    Aberto em mil feridas, cada instante, 
    qual minha fronte, 
    tuas ondas, como os meus pensamentos, 
    vão e vêm, vão e vêm, 
    beijando-se, afastando-se, 
    num eterno conhecer-se, 
    mar, e desconhecer-se. 

    És tu e não o sabes, 
    pulsa-te o coração e não o sente... 
    Que plenitude de solidão, mar solitário! 

    Juan Ramón Jiménez, in "Diario de Un Poeta Reciencasado" 
    Tradução de José Bento

    Tema(s): Mar  Solidão 

    Juan Ramón Jiménez

    Consciência PlenaLevas-me, consciência plena, desejante deus, 
    por todo o mundo. 
                                                                Neste mar terceiro, 
    quase oiço tua voz; tua voz do vento 
    ocupante total do movimento; 
    das cores, das luzes 
    eternas e marinhas. 

    Tua voz de fogo branco 
    na totalidade da água, do barco, do céu, 
    traçando as rotas com prazer, 
    gravando-me com fúlgido minha órbita segura 
    de corpo negro 
    com o diamante lúcido em seu dentro. 

    Juan Ramón Jiménez, in "Dios Deseado y Deseante" 

    Tradução de José Bento

    Tema(s): Consciência 



  • Poema Juan Ramón Jiménez

    A Cor da Tua AlmaEnquanto eu te beijo, o seu rumor 
    nos dá a árvore, que se agita ao sol de ouro 
    que o sol lhe dá ao fugir, fugaz tesouro 
    da árvore que é a árvore de meu amor.    

    Não é fulgor, não é ardor, não é primor 
    o que me dá de ti o que te adoro, 
    com a luz que se afasta; é o ouro, o ouro, 
    é o ouro feito sombra: a tua cor. 

    A cor de tua alma; pois teus olhos 
    vão-se tornando nela, e à medida 
    que o sol troca por seus rubros seus ouros, 
    e tu te fazes pálida e fundida, 
    sai o ouro feito tu de teus dois olhos 
    que me são paz, fé, sol: a minha vida! 

    Juan Ramón Jiménez, in "Ríos que se Van" 
    Tradução de José Bento

    Tema(s): Alma  Amor 

    quinta-feira, 29 de agosto de 2013

    O REVOLUCIONÁRIO BEBE COCA-COLA

    Logo apos as manifestações populares que sacudiram o pais, nos meses de junho e julho os noticiários foram tomados por ações de jovens que se auto denominavam anarquistas e seriam seguidores de um sub grupo intitulado ''Black Bloc''.
    O tal ''Black Bloc'' que é oriundo de países europeus, possuem por tradição as vestimentas pretas e a  cabeça sempre coberta por capuzes. O anarquismo e o anticapitalismo são pregados pelos mesmos, e sua presença em grandes manifestações é frequente. O ''Black Bloc'' tupiniquim ou classe média é mais um produto midiático do que propriamente um movimento ideológico. Um produto daqueles que sempre surgem a partir do momento que lhes é dada evidencia. O fato é que durante as manifestações de rua que marcaram todo o mês de junho e julho pelo Brasil afora la estavam nas mesmas barricadas, o povo fazendo suas reivindicações justas e democráticas e inúmeros vândalos, até então sem nenhuma ligação com este ou aquele movimento anarquista, porém a partir do momento que a grande mídia passou a dar evidência à atos de vandalismo de grupos isolados a mesma acabou por alimentar a existência de um suposto grupelho, agora já denominado de ''Black Bloc''. As manifestações onde esses se fazem presentes acabam por se transformar em verdadeiros campos de batalha.
    O povo agora excluído das manifestações assiste perplexo as ações de vândalos supostamente anarquistas. Esses mesmos supostos anarquistas, classe média não reivindicam, não cobram, apenas destroem e zombam do Estado e este mesmo Estado que em razão de sua conivência com atos de vandalismo desses grupos, por não possuir uma legislação penal rígida e, somados a isso, uma propaganda midiática maciça e até mesmo apoio explícito por parte de instituições como a OAB, recebe agora em troca a fúria e a destruição por parte desses grupos. Invasões de casa legislativas, destruição de agências bancarias, perseguições a governos democraticamente eleitos e destruição de propriedades privadas fogem à democracia e extrapolam o estado democrático de direito. A grande mídia, agora também alvo da ira dos vândalos, critica ferozmente o Estado, representado no enfrentamento a esses grupos pela policia militar, a policia é taxada de despreparada e violenta, denunciam-se policiais que estão ali cumprindo apenas sua  obrigação constitucional e que são violentamente atacados por gangues de jovens bem nutridos, todos de classe média e com seus estudos custeados pelo contribuinte.
    A musa black bloc já foi eleita e cada vez mais as fileiras desse grupelho são engrossadas por jovens, mas não são jovens isentos de perspectiva ou marginalizados pela sociedade, muito pelo contrario são sim jovens todos eles, porém a grande maioria frequentadores de universidades públicas ou possuidores de bolsas de estudo custeadas pelo governo federal, através dos  nossos impostos.
    Manifestações populares são necessárias e fazem parte do jogo democrático, democracia que está sendo severamente ameaçada por bandos delinquentes. Quando o extremismo é insuflado, em sua oposição certamente acorrera também o extremismo, o revolucionário continuara bebendo sua Coca Cola, enquanto o caos esta sendo instalado e o Estado sendo acossado, mesmo que este garanta aos seus destruidores educação superior publica e gratuita e só receba ira e destruição em troca. Neste momento se faz urgente repensar a forma como esses grupos devem ser tratados. O estado democrático de direito aguarda.


                        Vândalos destroem agência bancária e ficam impedidos de sacar a mesada.

    sábado, 17 de agosto de 2013

    CRÔNICAS DO DIA A DIA

    Um corpo estendido no chão 


        Horário de pico, ônibus lotado, sentido rodoviária. Um dia comum como tantos outros, não fosse um acontecimento já tão freqüente, um atropelamento. Talvez a freqüência tenha motivado tais reações que narrarei adiante. 
    Estava lá estendido no chão, jazia moribundo, o corpo, um homem qualquer. Pai, talvez. Marido, quem sabe. Um filho de alguém, com certeza.
    O corpo, agora sem vida, foi atropelado. Especula-se que tentou sem sucesso atravessar uma avenida, que àquele horário nem o mais rápido dos velocistas conseguiria. O busão em marcha lenta encarava o engarrafamento. Ambulâncias, carros de policia e lá estava o corpo estendido no chão. Já era tarde, morreu. Lentamente, o busão como que num cortejo fúnebre emparelha com o defunto. Estico o pescoço para melhor visualiza-lo. O senhor bigodudo ao lado num misto de sinceridade e desprezo, diz :
     - Bateu as botas.
    Assim, simples como se a única certeza que temos nessa vida, que é a de que vamos morrer um dia se, resumisse ao ato banal de um bater de botas. A senhora gorda mais a frente olha de relance e diz que tem medo de defunto, vira o rosto, faz o sinal da cruz, beija as mãos e as ergue aos céus. O adolescente espinhento resmunga:
    - Esse ai já era, mano!
    - É mesmo! - repete outro. 
    E a marcha fúnebre segue seu caminho, o corpo ficou para traz. Agora as conversas seguem seu rumo banal, o medo, a indiferença,  a curiosidade e a troça dão lugar à rodada do futebol, ao capitulo da novela e àquela gostosona do reality. A vida segue, o corpo fica, lá, estirado no chão, afinal de contas somos humanos, demasiado humanos, assim na vida como na morte.